Filmes e Séries

O Terror e a Poesia de Penny Dreadful

Você gosta de terror? Temos.

Gosta de poesia? Temos.

Penny Dreadful é uma série criada por John Logan e produzida por Sam Mendes, no Brasil exibida pela HBO.  A série aborda personagens famosos da ficção universal como Victor Frankenstein e sua criação, Dorian Gray, Van Helsing, Drácula, Lobisomens, além de possessões demoníacas e bruxaria.

A história se passa em Londres na era vitoriana, o que de certa forma já me inspira e cheira poesia, a fotografia, ambientação, as falas, os figurinos…

Na primeira temporada o personagem Ethan Chandler, um pistoleiro americano que vive em Londres fazendo apresentações de suas habilidades com armas de fogo, é procurado por Sir Malcolm Murray e sua assistente Vanessa Ives (a maravilhosa Eva Green) para usar suas habilidades em uma busca pessoal. A filha do Sir Malcolm, Mina Harker foi sequestrada por forças do mal, o que o  levou a uma perigosa jornada em busca de pistas sobre o paradeiro de Mina, juntamente com Vanessa Ives, amiga de infância de sua filha, e outros aliados recrutados no decorrer dos episódios. 

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Nessa busca obscura nos deparamos com diversas criaturas famosas dos contos de terror, também podemos ver a luta de Vanessa Ives contra o lado sobrenatural que deseja dominá-la desde muito nova, o que tem relação direta com o sumiço de Mina. Em diversas cenas vemos o show de atuação da Eva Green, eu fico arrepiada só de lembrar. Muitos episódios mexeram com a minha cabeça, não há economia na hora de cenas perturbadoras, como rituais envoltos de magia negra, possessão demoníaca, criaturas estranhas, e uma pitada de teor sexual, afinal temos referência ao Retrato de Dorian Gray, conhecido por sua vaidade e promiscuidade.

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A poesia que encontrei em Penny Dreadful está presente desde a abertura, até os diálogos dos personagens, principalmente entre a Vanessa, Victor Frankenstein e seu próprio monstro, John Clare. Em seus diálogos, sempre vemos a citação de poesias, e até suas falas evidentemente possuem o tom poético. Um dos poemas que gosto e que foi citado em um diálogo entre Vanessa e Victor é Lines Written in Early Spring (Versos Escritos no Início da Primavera), de William Wordsworth:

“Se tal crença do céu for enviada,
Se tal for o plano sagrado da natureza,
Não tenho eu razão de lamentar
O que o homem fez do homem?” 

O personagem John Clare me emociona muito, sua história é muito triste e no fundo vemos que foi um homem bom, seu nome foi escolhido por ele mesmo em homenagem ao poeta John Clare, ele e Vanessa em meio a um diálogo muito reflexivo sobre suas vidas citam esse poema “I am” do verdadeiro poeta:

“Eu sou, mas o que sou ninguém se importa ou conhece,
Meus amigos desistiram de mim, como uma memória perdida.
Sou o consumidor das minhas próprias mágoas.
Elas ascendem e desaparecem em chão estéril,
como sombras em dores delirantes de um amor sufocado.
E ainda assim eu sou, eu vivo como vapores tremulantes,

Anseio por cenas onde o homem nunca trilhou.
Um lugar onde as mulheres nunca sorriram ou choraram.
Há a cumprir com o meu Criador, Deus.
E dormir como eu dormia docemente na infância.
Tranquilo e despreocupado onde repouso.”

Eu gosto muito dessa série, uma pena ter sido tão curta, apenas 3 temporadas. Se você é fã do gênero terror tenho certeza que vai gostar. Se isso tudo ainda não te convenceu, digo mais uma vez que o elenco conta com Eva Green, em uma de suas melhores atuações de toda sua carreira.

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7 comentários em “O Terror e a Poesia de Penny Dreadful

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